Tema foi debatido na 3ª reunião do Grupo de Trabalho de Infraestrutura, da Trilha de Finanças, realizada em Foz do Iguaçu (PR)
Foz do Iguaçu (PR) – A adaptação da infraestrutura mundial às mudanças climáticas deixou de ser uma escolha e tornou-se uma necessidade inadiável. Essa foi a tônica da 3ª reunião do Grupo de Trabalho de Infraestrutura, da Trilha de Finanças do G20, encerrada nesta quinta-feira (27) na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná. Representantes de governos e organismos internacionais debateram caminhos para viabilizar obras e investimentos capazes de resistir aos impactos crescentes do clima extremo, que já afetam países ricos, pobres e em desenvolvimento.
“Estamos no momento de refinar as entregas, os chamados deliverables, que serão apresentados aos chefes de Estado em novembro”, afirmou o subsecretário de Finanças Internacionais e Cooperação Econômica do Ministério da Fazenda, Antonio Freitas. Ele anunciou a conclusão das negociações de um relatório com recomendações para o financiamento de infraestrutura resiliente, produzido em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O documento, que reúne boas práticas dos países do G20, será submetido à consideração dos ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais na próxima reunião do grupo, em julho, no Rio de Janeiro.
Três frentes de ação prioritárias
De acordo com Marden Barboza, coordenador do Grupo de Trabalho de Infraestrutura, o desafio da adaptação climática envolve três grandes frentes: diagnóstico, planejamento e financiamento. “Precisamos de bons mecanismos de avaliação de risco para que governos e iniciativa privada possam agir com precisão”, destacou. “Também é fundamental incorporar a resiliência climática ao planejamento de longo prazo e aos orçamentos públicos, com atenção permanente às questões ambientais.”
O financiamento, no entanto, segue como um dos maiores obstáculos. “Estas intervenções têm um custo elevado. E aí surge a pergunta: de onde virão os recursos?”, questionou Barboza. Ele citou instrumentos como a emissão de títulos verdes, parcerias com bancos multilaterais de desenvolvimento e a mobilização do capital privado. “É urgente que a gente possa se antecipar, ao invés de ficar apenas reagindo aos desastres”, completou.
Injustiça climática e impasses globais
O debate sobre infraestrutura resiliente também escancara desigualdades históricas. Os países desenvolvidos, que mais contribuíram para a crise climática, ainda não cumprem compromissos assumidos em acordos internacionais como o Acordo de Paris, especialmente no que diz respeito ao apoio financeiro aos países mais vulneráveis.
“Parte dos recursos que deveriam estar sendo destinados à adaptação climática está sendo usada para financiar conflitos”, alertou Freitas. “É um cenário que exige responsabilidade dos grandes emissores e compromisso real com a justiça climática.”
Segundo ele, apesar dos avanços promovidos pelo Brasil na presidência do G20, questões estruturais como taxas de juros e arquitetura financeira internacional ainda impõem limites às soluções. “O Brasil tem propostas ousadas e ambiciosas, mas que exigem negociação intensa e consensos que levam tempo para amadurecer”, explicou. “A construção de um novo modelo de desenvolvimento, mais resiliente e sustentável, é um processo longo, mas necessário.”
Fonte: Governo Federal.

