Supersafra, Frete e Inflação: O Desafio Logístico do Agro Brasileiro

O Brasil se prepara para colher uma supersafra de grãos estimada em 325,7 milhões de toneladas. Essa conquista, impulsionada pelo aumento da produção de arroz e feijão, promete aliviar a inflação dos alimentos e garantir maior segurança alimentar para o país. No entanto, um grande desafio logístico se impõe: a infraestrutura de transporte pode se tornar um entrave para que essa produção chegue ao consumidor de forma eficiente e com preços acessíveis.

Com o crescimento da safra, a demanda por transporte também aumenta, pressionando o setor logístico. Em algumas rotas, como o trecho entre Água Boa (MT) e o Porto de Santos (SP), o custo do frete disparou em até 69,3%, refletindo a escassez de caminhões e de mão de obra especializada. Além disso, a disputa por espaço nos meios de transporte encarece ainda mais os custos operacionais, impactando toda a cadeia produtiva.

Outro desafio crítico é a capacidade de armazenamento. A falta de armazéns adequados para estocar a produção obriga os produtores a escoarem rapidamente seus grãos, elevando a pressão sobre o transporte rodoviário e sobre os portos. Sem soluções estratégicas de logística, o excesso de oferta pode não se traduzir em uma redução proporcional nos preços ao consumidor.

Para que a supersafra se converta em benefício real para o país, investimentos em infraestrutura e logística são fundamentais. Alternativas como a ampliação da malha ferroviária, a modernização dos portos e o aumento da capacidade de armazenagem podem reduzir os custos e garantir que os alimentos cheguem ao mercado de forma mais eficiente.

O setor logístico tem um papel essencial nesse cenário, e a busca por soluções inovadoras e estratégicas é crucial para equilibrar oferta, demanda e preços. Afinal, uma supersafra só é vantajosa quando chega à mesa dos brasileiros com qualidade e valor acessível.

Fonte: Canal Rural.